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A evolução da pecuária no Brasil

Pecuária no Brasil: Tecnologia tornou o país o segundo maior produtor de carne do mundo

Pecuária no Brasil
Entenda como a Pecuária no Brasil evoluiu tanto nos últimos anos

 

Não pode ler agora? Ouça a matéria clicando no player:

 

O Brasil tem o segundo maior rebanho bovino do mundo segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2017 o país tinha 226 milhões de cabeças, o que corresponde a 22,64% do total mundial. A vice-liderança se dá porque a Índia tem, no comparativo internacional, 303 milhões de animais (30,39% do total). A pecuária no Brasil evoluiu, e hoje permite suprir a demanda interna com carnes de alta qualidade e ainda exportar, mas nem sempre foi assim.

Quem olhar dados históricos do mercado e da cadeia produtiva do gado de corte do final dos anos 60 e compará-los com os números recentes, vai perceber uma diferença. Antes o tipo de propriedade administrada pelos fazendeiros tinha uma característica em comum: grandes áreas de pastagem. Os números mostram, no entanto, que agora a prioridade é a pecuária intensiva e o foco está na produção de qualidade.

Área maior, produtividade menor

Há cerca de 40 anos, o país tinha menos da metade do rebanho atual. O que era produzido pela pecuária no Brasil não atendia a demanda da população interna e o mercado externo não era considerado prioritário. A cadeia foi embalada sobretudo pela inserção de novas raças que eram fruto da política do governo para o setor pecuarista. Na época, a região Centro-Oeste protagonizou uma explosão no número de propriedades, já que a área apresentava aspectos naturais e geográficos mais adequados do que os de outros estados, além de um bom posicionamento que dava condições logísticas ímpares no momento de escoar a produção.

Mas a prioridade da região nessa época não era exatamente a modernização da produção, focando na produtividade do plantel. As propriedades eram muito grandes e o gado criado solto crescia em número de cabeças, deixando de lado características que hoje fazem da pecuária do Brasil uma das mais modernas do mundo.

Salto de produtividade

Em 40 anos, o rebanho mais que dobrou no país. Um detalhe importante é que a área de pastagens não cresceu na mesma proporção — em alguns casos, até diminuiu. Isso reflete a melhoria da produtividade, que é obtida por meio do controle de elementos altamente influenciadores no processo como o ganho de peso dos animais, a diminuição da mortalidade, o aumento nas taxas de natalidade e na diminuição progressiva da idade de abate.


O conjunto de atitudes tomadas pelos produtores e donos de propriedades que começaram a perceber a importância de se investir em tecnologia foi o que proporcionou, ao longo das duas últimas décadas do século XX, o crescimento desta atividade produtiva. Desde o ano 2000, o abate de bovinos cresceu cerca de 90% — o que posicionou o Brasil como um dos maiores exportadores do globo. No ano de 2018, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estima que o volume total de carne bovina produzido aqui será de 9,9 milhões de toneladas, acima das 9,5 milhões registradas no ano passado. Mas para concretizar essa previsão, será preciso investir cada vez mais em tecnologia.

Pecuária no Brasil: inovação quadruplica produção

A ideia de que a pecuária deve se aproximar cada vez mais da agricultura não é exatamente nova, mas tem ganhado cada vez mais evangelistas nos últimos anos. Para alguns especialistas, esse é o único caminho de fazer com que propriedades produzam cada vez mais por hectare anualmente. O agrônomo Ivan Wedekin, por exemplo, afirma que a pecuária brasileira tem apresentado números ascendentes ano após ano, mas “é a hora de olhar e cuidar da pecuária como se cuida de uma lavoura”. Segundo o consultor, essa nova visão depende de investimentos para integrar sistemas dentro da porteira, já que o controle dos diversos fatores que contribuem para a criação de gado de corte de qualidade tem que ser rigoroso.

Pecuaristas que implantam sistemas dedicados à gestão agropecuária conseguem produzir mais de 20 arrobas por hectare/ano, cerca de quatro vezes mais do que quem adota técnicas mais antigas de controle de pasto, alimentação e outros fatores. Essa diferença acontece porque as plataformas modernas interligam todas as áreas da fazenda, permitindo o monitoramento em tempo real dos cochos, da engorda dos animais, do manejo e indicando o ponto ótimo para o abate.

Continue acessando o nosso blog para saber como aumentar a produtividade e a lucratividade dos seus negócios agropecuários! Nosso objetivo é estimular a pecuária no Brasil e ajudar produtores a melhorarem seus resultados.

Se você se interessa por pecuária no Brasil, confira outros materiais publicados no nosso blog:

  • Estação de monta: boas práticas para gerar melhores resultados na sua propriedade
  • Recria de bezerros: como manter uma boa gestão
  • Gerenciamento rural profissional: o que diferencia um bom de um mau gestor

O bom resultado vem da origem

Todo produtor deveria conhecer todos os custos envolvidos no seu negócio, pois quando falamos de sucesso na pecuária, é importante conhecer e controlar os custos de produção com profundidade.

É possível que o produtor realize negócios com segurança, desde que tenha estratégias bem definidas. A atividade pecuária é arriscada e envolve diversas variáveis. Algumas são controláveis e outras nem tanto, como por exemplo as oscilações do mercado.

Os custos mais impactantes do confinamento são de reposição e nutrição. A reposição representa 80% do custo total do negócio e a nutrição representa de 80-90% do custo de produção. Com participações tão representativas, fica claro que ter uma gestão de alta maturidade, controlar e acompanhar os custos é extremamente necessário.

(Fonte GA, 2021)

Quais fatores podem afetar o bolso do pecuarista? Vejamos:

  • Preço de mercado

É importante estar atento às oscilações dos preços e oportunidades que o mercado pode te oferecer. O momento atual é delicado devido à baixa oferta de animais e consequente valorização dos animais de reposição.

  • Fornecedor

Entender seus parceiros, identificar quem são os melhores fornecedores que entregam animais mais homogêneos e com melhor previsibilidade de resposta – aqueles lotes que “deixam” mais resultado e com que frequência isso acontece.

  • Distância (Transporte)

Entender que a distância pode impactar as primeiras semanas de adaptação e na resposta sanitária dos protocolos de entrada. É importante traçar uma operação para que isso não atrapalhe o desempenho do animal.

  • Gestão de contrato

É de extrema importância ter o controle das informações negociadas em um contrato para saber o valor real por cabeça, fornecedor e período, para tomar decisões mais assertivas na compra e pagar o justo pelo melhor resultado.

  • Custo da aquisição (Frete/Comissão)

Envolve a compra do animal, frete, comissão e outros valores que impactarão no valor final do animal.

  • Manejo de entrada

Trata-se dos primeiros manejos, formação de lotes, adaptação dos animais e como isso pode impactar no resultado.

Fica claro que a impossibilidade de controlar as variáveis externas pode afetar a rentabilidade do negócio. Portanto, é fundamental que o produtor tenha total controle e busque sempre melhorias sobre as variáveis internas para que aproveite as melhores oportunidades de reposição.

Para entender esse cenário através de dados, fizemos uma simulação entre o valor pago pelo boi magro e os valores de eficiência biológica do animal (a eficiência biológica avalia o custo da carcaça produzida, ou seja, quanto de comida o animal precisou para produzir 1@ de carcaça).

Sabemos que outras variáveis como manejo, controle de sobra, trato, eficiência da fábrica e dieta, também interferem no resultado, porém conseguimos fazer uma previsão do lucro. Veja no gráfico abaixo:

No gráfico da esquerda, o pecuarista teve R$ 431,32 de lucro, porém se ele se tornar mais eficiente pode potencializar o resultado e aumentar o lucro para R$ 520,71/cabeça. Uma diferença de quase R$90,00, devido a eficiência biológica.

Vamos supor que uma propriedade atingiu a máxima eficiência biológica e os animais de reposição são similares ao exemplo anterior, porém devido às oscilações do mercado, o pecuarista pagou mais caro pelo boi magro. Nesta situação, o resultado foi de R$ 204,00/cabeça. Se ele tivesse feito uma compra padrão, em valores justos, esse valor alcançaria R$ 658,03 por cabeça, o que o resulta em uma diferença de R$ 454,03 por animal.

Em propriedades que já tem uma estrutura bem definida ou estão em processo contínuo de melhorias (automação da fábrica, controle de estoque, leitura de cocho), fica evidente que a compra do boi magro bem feita favorecerá o lucro. Ressaltamos a importância de realizar bons negócios na compra do boi magro e se proteger de outras variáveis.

“Boi bom é o que deixa o melhor lucro.” Marcelo Ribas (Diretor Executivo da Intergado)

Para saber acessar mais conteúdos como este, não deixe de participar do Circuito Pecuária de Alta Performance.

Saiba mais em: Circuito Pecuária de Alta Performance

Conteúdo e Estudos:

Marcelo Ribas (CEO Intergado)

Veterinário, doutor em Zootecnia e responsável pela área de pesquisa e inovação da Intergado.

Paulo Marcelo (CEO da GA)

Zootecnista, mestre em Produção Animal e pioneiro na aplicação da ciência de dados na pecuária.

Análises:

Time de Estatísticos e Cientistas de Dados GA e Intergado

Produção do conteúdo:

Milena Marzocchi (Analista de Negócios da GA)

Zootecnista, mestre em produção animal sustentável, especialista em marketing.

Hora do trato – O que podemos melhorar?

Nesta série de artigos de Nutrição, mostramos pontos importante a serem gerenciados em um confinamento para uma pecuária de sucesso. Caso não tenha lido os outros 2 artigos, recomendo a leitura para acompanhar o raciocínio.

Amplamente conhecido como “trato dos animais”, abordaremos o fornecimento da dieta e seus respectivos gargalos operacionais.

Os bovinos são animais que desempenham melhor quando manejados de maneira estável e o confinamento deve seguir uma rotina diária para melhores resultados. O uso de tecnologias e softwares de gestão como o TGC e a Automação GA, auxiliam neste processo.

É muito comum ocorrer atraso no trato por diversas razões, como manutenção do caminhão, atraso na fabricação, atraso na leitura de cocho. Quando isso acontece, os animais respondem negativamente, pois ficam com a quantidade de comida abaixo do planejado no cocho, o que diminui o consumo e afeta o ganho de peso diário. Além do desempenho animal, o processo de fabricação é prejudicado, pois muitas vezes é feito às pressas com dosagem errada dos ingredientes, causando a fabricação de uma dieta diferente da planejada pelo nutricionista e até fornecimento da quantidade errada.

Quando se automatiza o trato, a eficiência desse processo melhora com correção dos problemas citados acima, otimização do tempo (sobra mais tempo para manutenção dos maquinários e equipamentos) e, consequentemente, a redução dos custos com menos desperdícios.

Benefícios do trato eficiente:

  • Reduz o ciclo de produção (tempo entre uma fabricação e outra);
  • Otimiza o uso dos equipamentos: aumento da capacidade de atendimento, o que permite ter menos caminhões ou mais bois;
  • Reduz o tempo gasto no fornecimento: em média de 3 horas / reduz horas extras;
  • Quantidade real do que foi fornecido;
  • Apuração do custo alimentar é fiel à fabricação – para cada batida fabricada o custo é referente aquele lote.

Fornecimento da dieta

Existe uma diferença entre a dieta que foi prevista e a que realmente foi fornecida ao animal e, quando separamos pelos tipos de dietas (adaptação, crescimento e terminação), vimos que o erro de leitura de cocho e fornecimento é maior dentro da fase de adaptação, quando comparado com as outras. A quantidade fornecida fica desbalanceada, comprometendo o desempenho do animal e custos.

Dessa maneira, vamos elencar algumas práticas de melhorias que podem ser implementadas com facilidade dentro do confinamento.

Boas práticas de fornecimento

Desempenho do animal: o que o boi “fala” sobre a eficiência dos processos

Em parceria com a Intergado, analisamos os dados coletados através das balanças eletrônicas e obtivemos 600 pesagens de cada animal (lote composto por 70 cabeças) em um período de 100 dias de cocho. Concluímos que o desempenho do animal é positivo quando os processos estão alinhados e o manejo correto. Índices como o GPD (ganho de peso diário) e peso do animal vivo se mantém constantes em todo o período de cocho.

Por sua vez, quando há mudanças no manejo, vemos a diferença desses mesmos índices zootécnicos. No gráfico abaixo, diante das altas dos insumos, o pecuarista foi obrigado a fazer uma mudança de alguns ingredientes sem alterar a composição da dieta. A 1ª mudança foi em substituição do milho na dieta, afetando o desempenho para 1,60 kg/dia.

Na sequência, houve uma leve recuperação, porém a 2ª mudança ocorreu quando não conseguiram sustentar os estoques e tiveram que recomprar, houve então outra queda. Na 3ª mudança, houve retorno do milho à dieta, quando os animais se estabeleceram e voltaram muito próximo ao GPD inicial, porém parte desse retorno é ganho compensatório devido aos meses anteriores que foram ruins.

Ao considerar o cenário ideal, sem as trocas de dietas, o peso projetado para os animais do lote seria de 573,44 kg. Neste caso, os animais estariam prontos com 9 dias a menos de cocho e um custo reduzido de R$117,00/cabeça (considerando uma diária de R$13,00).

Fica claro a necessidade de observamos o animal com profundidade e, para isso, o pecuarista precisa ter dados e ferramentas que o auxiliem na tomada de decisões.

Neste caso avaliado, em uma propriedade com 5 mil cabeças e 2 giros ao ano, haveria uma redução de custos de mais de R$1,6 milhão, considerando que com a automação da fábrica, haverá uma melhoria na eficiência de fabricação (redução de R$483.600,00) e a saída antecipada dos animais em 9 dias (redução de R$1.170.000,00).

Em anos desafiadores com margens estreitas e necessidade crescente de uma gestão com alta maturidade, fica claro que os investimentos em tecnologias de gestão podem auxiliar o pecuarista nas melhores decisões, gerando mais lucratividade à propriedade.

Mas você pode estar se perguntando, quanto custa esse investimento? Ele realmente vale a pena? Veja abaixo as possíveis reduções e o retorno do investimento com a fábrica e fornecimento automatizados.

É evidente que o retorno sobre esse investimento se pague rapidamente, considerando o investimento de longo prazo. Atualmente, a GA possui um simulador de fábrica de ração, onde é possível simular sua propriedade e custos e assim, avaliar a sua realidade.

Para acessar mais conteúdos como este, não deixe de participar nossa Trilha de Conhecimento.

Saiba mais em: Trilha do Conhecimento GA

Conteúdo e Estudos:

Marcelo Ribas (CEO Intergado)

Veterinário, doutor em Zootecnia e responsável pela área de pesquisa e inovação da Intergado.

Paulo Marcelo (CEO da GA)

Zootecnista, mestre em Produção Animal e pioneiro na aplicação da ciência de dados na pecuária.

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Milena Marzocchi (Analista de Negócios da GA)

Zootecnista, mestre em produção animal sustentável, especialista em marketing.

Recria de bezerros: como manter uma boa gestão

Recria de bezerros: como manter uma boa gestão
Recria de bezerros: aprenda, nesse post, como manter uma boa gestão na sua propriedade.

O processo de criação comercial do gado de corte é dividido em várias fases extremamente importantes, mas uma delas exerce maior influência sobre a rentabilidade final de cada animal em relação às demais: a recria de bezerros. Em muitos casos, essa etapa acaba sendo “esquecida” pelos produtores, que focam mais em outras atividades como a terminação, que está mais perto do lucro desejado pelo pecuarista. Considerando que a produção de carne é uma cadeia industrial cuja a matéria-prima principal de uma atividade é o produto final de outra, lembre-se: sem cria não há bezerros para a recria. Consequentemente, sem os garrotes da recria não há boi para engorda e terminação.

Poucos são os pecuaristas que atuam em todas as atividades da cadeia (da cria à terminação) e mesmo estes, muitas vezes, não têm o volume ideal de crias e garrotes para garantir um fluxo constante de abate que mantenha o caixa positivo. Como o foco da maioria dos pecuaristas está na terminação, o mercado para garrotes é estratégico e promissor. Independente do modelo de negócio, é fundamental ter o controle preciso dos custos e do lucro de cada etapa para conquistar e manter a saúde financeira da fazenda.

O ciclo da recria tem duração média de dois anos e é fundamental controlar os diferentes fatores que determinam o bom resultado dessa atividade, que é a mais longa da pecuária de corte. Fazer a gestão adequada da originação, do manejo da pastagem incluindo a adubação, da suplementação nutricional e do desempenho do animal exige cuidado na coleta dos dados e uma análise precisa dessas informações para evitar que pequenas perdas ao longo do processo se transforme em prejuízo no final do ciclo.

Nesta recria os animais desmamados são manejados para desenvolver musculatura e ossatura suficientes para reprodução ou engorda. No caso das fêmeas, que serão incorporadas ao rebanho como matrizes, o desenvolvimento tem como objetivo dar condições para que ela entre no período reprodutivo o mais cedo possível. Já no caso dos machos, o objetivo é obter estrutura corporal em que o crescimento físico se reduza e ocorra a deposição de carne e gordura na carcaça, dando um bom acabamento na fase de terminação.

Valorização da recria de bezerros

Apesar da importância e da interferência direta sobre a lucratividade do plantel, a recria costuma ser pouco valorizada e relegada a um segundo plano em muitas fazendas brasileiras. A atitude não é a adequada, nem pelo impacto nos lucros e nem pelo tempo que ela ocupa no processo, que chega a 40% do ciclo de produção. A recria atinge, em média, 27% do rebanho total (considerando produções com abate aos 24 meses).

Justamente pela quantidade expressiva de animais nesta etapa, é fundamental dedicar um bom tempo do planejamento pecuário a esta fase produtiva. A preocupação do produtor deve ser no sentido de que quanto mais tempo eles permanecem na propriedade, alongam o ciclo de produção e contribuem para a redução da eficiência e da rentabilidade da atividade.

Desafios da fase de recria de bezerros

No Brasil, muitas das fazendas fazem a recria dos animais a pasto. Nestes casos, o ganho de peso é diretamente influenciado pela produção da forragem. Essa produção, no entanto, é sazonal e o pecuarista terá que lidar com períodos de alto ganho de peso e baixo ganho de peso. Por exemplo:

  • no período das águas, há mais disponibilidade de forragem porque o ambiente apresenta maiores temperaturas, umidade, luminosidade. Isso significa que o ganho de peso será maior;
  • no período da seca, há menor disponibilidade de forragem, menor ganho e até perda de peso.

Situações como esta exigem a preparação e o planejamento constantes por parte dos produtores. É fundamental que eles adotem soluções modernas de gestão agropecuária para que obtenham todos os dados sobre o comportamento do rebanho, as interferências externas e as previsões de consumo de alimento e insumos veterinários. Por meio do acompanhamento digital oferecido pelos softwares de pecuária, é possível avaliar o comportamento do gado nas diferentes condições meteorológicas.

Como o período das chuvas começa entre os meses de setembro e outubro e se estende até março e abril, a alta produção de forragem proporciona o ganho ampliado de peso. Neste sentido, manter a curva de crescimento do animal constante é o grande desafio da fase de recria. O produtor tem que se preocupar e impedir a ocorrência do “efeito boi-sanfona”, que ganha peso na estação de águas e perde na seca. Animais com essa característica costumam ficar entre 4,5 e 5 anos na propriedade, consumindo insumos, mão-de-obra, alimentos dando gastos para oferecer retorno só dentro de meia década (isso, se ocorrer).

A solução para este tipo de situação é adotar a tecnologia para contornar fatores externos como a sazonalidade da produção de forragem. É possível fazer isso usando estratégias de suplementação que ajudarão a manter a curva de crescimento constante — o chamado “boi 777”.

Considere o seguinte exemplo:

  • um boi chega à desmama oito meses depois do nascimento, em plena estação das águas, com 210 quilos;
  • durante a fase de recria, que dura 12 meses, ele passa por dois períodos: uma seca e outra estação de chuvas;
  • para não perder peso na época do ano em que chove pouco, recebe suplementação proteica de 0,3% do peso vivo e atinge 282 quilos — aqui ele já pesa cerca de 9,5 arrobas;
  • com o passar do tempo e a volta da estação das águas, este boi volta a alimentar-se de pasto e chega à marca de 14 arrobas;
  • este animal será encaminhado à terminação, que durará os próximos quatro meses, pesando 21 arrobas e engordando 1,3 quilos por dia.

Observe que neste caso mesmo que o confinamento aconteça durante um segundo período de seca, o boi termina em menos tempo que um animal que não tenha passado por essa estratégia (em cerca de 2 anos) e apresenta resultados mais expressivos.

É fundamental que o produtor saiba que quanto menor a idade de abate, maior a rentabilidade do rebanho. A estratégia é reduzir a idade de abate, o que acontece quando se consegue diminuir a duração da fase de recria. Esta etapa pode variar entre 12 e 36 meses e ela é a única fase com tempo variável ao longo do ciclo produtivo. Daí a necessidade de dar a devida atenção à recria de bezerros.

Para saber mais sobre como manter a boa gestão da recria de bezerros, acesse o nosso site e leia o nosso blog, que trazem informações atualizadas para orientar os produtores sobre como aumentar a lucratividade do próprio negócio.


Se você se interessa por pecuária no Brasil, confira outros materiais publicados no nosso blog:

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controle de gado de corte

Tecnologia pecuária: você conhece as últimas tendências do setor?

Tecnologia na pecuária
Fique por dentro dessas tendências de tecnologia pecuária e entenda porque algumas propriedades brasileiras se destacam no cenário mundial!

Não consegue ler agora o artigo “Tecnologia pecuária: você conhece as últimas tendências do setor”? Clique no play e ouça este post:

Até o ano de 2050, a produção de alimentos em todo o mundo terá a missão de sustentar 2,3 bilhões de pessoas a mais. O crescimento do setor deverá ser de 70%, priorizando a produtividade e o incremento de cerca de 120 milhões de hectares de novas áreas. Essa necessidade deve impulsionar a ampliação de investimentos na agricultura e na pecuária da ordem de 60% — boa parte voltada à capacidade de geração de proteína animal, que precisará crescer 200 milhões de toneladas. Neste cenário, seremos 9,2 bilhões de seres humanos no planeta e 72% dos países em desenvolvimento vão consumir carne — contra o índice de 58% aferido atualmente.

 

Esses dados apurados por uma pesquisa recente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul reforçam a importância de aplicar as últimas tendências de tecnologia pecuária nas fazendas brasileiras. A modernização tem sido responsável pela transformação, ainda que gradativa, deste segmento econômico — especialmente nos últimos 10 anos. O Brasil deixou o modelo praticado décadas atrás, de criar gado de forma extensiva por meio de grandes áreas de pastagens, e começou a intensificar a produção de proteína por meio dos sistemas de TIP (Terminação Intensiva a Pasto) e de confinamento com maior controle nutricional, além do GMD (Ganho Médio Diário), para escalar a produção e alcançar melhor qualidade.

 

Esses sistemas exigem acompanhamento e monitoramento constantes para garantir a alta produtividade alta e a boa lucratividade do plantel. Por isso é importante considerar a coleta, a leitura e a interpretação corretas dos diversos dados que interferem na quantidade de carne produzida a cada ciclo, o que só pode ser feito com eficiência se houver gestão da informação adequada.


Continue a leitura para saber quais são as últimas tendências de aplicação da tecnologia pecuária que vão fazer a sua fazenda produzir mais arrobas com menos custos.

 

Business Intelligence (BI): aplicação da tecnologia pecuária

 

O processo de coletar, organizar, compartilhar e analisar as informações procedentes de um monitoramento constante é chamado de inteligência de negócios — business intelligence, em inglês. Por meio dessa técnica é possível transformar a gestão de processos e otimizá-los para que o resultado seja o mais eficiente possível.

 

A estratégia é fazer uso de recursos que permitam resgatar o histórico de ações e comportamentos por meio de relatórios, gráficos, indicadores corretos e dados estatísticos que permitam tomar a decisão acertada para o negócio. Para fazer isso na pecuária, é imprescindível que o dono da fazenda utilize ferramentas de gestão da informação que permitam o processamento e análise de milhares de dados do seu negócio em tempo real. Integradas a equipamentos, elas apresentam um retrato claro do que acontece na propriedade — isso é ter as rédeas do negócio nas mãos.

 

Por meio de softwares robustos de BI focados nos indicadores da pecuária, é possível:

 

  • identificar os impactos do trato no confinamento;
  • medir os benefícios dos tipos de dieta fornecida ao rebanho;
  • acompanhar a evolução do gado ao longo de cada ciclo;
  • saber qual é  a rentabilidade de cada boi e lote na cria, recria e engorda com simulação dos melhores cenários para a fazenda;
  • diversos outros indicadores importantes para o produtor.

 

Pecuária moderna: de olho na tela

 

O controle dos plantéis já não pode mais ser feito de forma manual. Uma das tendências mais importantes da implantação da tecnologia pecuária é a digitalização de todos os dados e informações, mas não da forma como muitas empresas fazem.

 

Diferentemente da simples inserção manual de dados numa planilha eletrônica, a inovação nas propriedades passa pela utilização de notebooks, tablets, smartphones, chips e leitores de códigos de barra pelos operadores da fazenda. Isso torna a coleta de informações do campo mais precisa, facilitando a visualização na tela pelos gestores, que acompanham a evolução dos números a cada operação.

 

Os softwares mais modernos do mercado são híbridos, ou seja, funcionam online e offline permitindo a sincronização das informações coletadas no campo com o banco de dados no servidor ou na nuvem, automaticamente. Assim, os milhares de dados são processados mais rapidamente para que o Business Intelligence possa gerar relatórios e estatísticas que vão permitir a análise precisa e maior o controle de toda a operação – de ponta a ponta.

 

Mercado em expansão: previsão de aumento na demanda por carne impulsiona pecuária de corte

 

As altas taxas de crescimento da demanda mundial por proteína animal nos próximos anos trazem grandes oportunidades de negócios para pecuária brasileira, que hoje tem o segundo maior rebanho bovino do mundo conforme levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas para atender às expectativas do mercado em quantidade e qualidade, é preciso produzir cada vez mais arrobas em menos hectares. É importante, por exemplo, selecionar raças que ganhem peso mais rapidamente e consumam menos. Essa missão só pode ser alcançada com o uso de tecnologia reprodução, nas técnicas de manejo, na evolução do rebanho, no controle de sanidade, na rastreabilidade, na engorda e, principalmente, em como gerir e controlar todas essas informações.

 

Como em qualquer atividade de precisão, um desvio, por menor que seja, pode gerar prejuízos significativos. No caso da pecuária, diferenças ainda que pequenas no dia a dia podem custar milhares de toneladas de perda de produtividade ao final do ciclo.

 

Quanto antes o produtor absorver e dominar o uso da tecnologia produção, mais oportunidades de negócios conseguirá aproveitar agora e no futuro, garantindo o crescimento sustentável da fazenda nos âmbitos produtivo, ambiental e econômico.

Continue acompanhando as informações do nosso blog e saiba mais sobre como a tecnologia pecuária pode ajudar a transformar positivamente a sua propriedade e aumentar a lucratividade do seu negócio.


 

Se você se interessa por pecuária no Brasil, inteligência artificial e tecnologia pecuária como um todo, confira outros materiais publicados no nosso blog:

  • Existe evolução sem revolução? Um breve cenário da pecuária de precisão no Brasil – e o que nos espera
  • Medição de resultados de monta natural e IATF: como a tecnologia pode ajudar
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controle de gado de corte

Estação de monta: boas práticas para gerar melhores resultados na sua propriedade

Estação de monta: boas práticas para gerar melhores resultados na sua propriedade
Estação de monta: confira aqui algumas boas práticas para melhorar os resultados da sua propriedade.

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A produtividade e a lucratividade de toda a cadeia da pecuária de corte dependem fundamentalmente de dois fatores: a eficiência reprodutiva das matrizes e o bom desempenho produtivo da principal matéria-prima, que é o bezerro. Parece óbvio, mas sem reprodução não há animal para engordar e abater. Apesar de essa etapa estratégica da cadeia produtiva ser vista como a menos rentável, não é raro ela receber menos investimentos. É verdade que já se evoluiu muito em melhoramento genético e novas técnicas de reprodução, mas o setor de cria ainda está muito defasado em gestão e planejamento para evoluir o rebanho e dar ao empreendedor um retorno econômico satisfatório.

O momento certo para implementar um controle mais eficiente é agora, na estação de monta. Ainda que não seja novidade, a administração adequada desta fase são é o que pode garantir os bons resultados da fazenda com o maior número de nascimentos e bezerros desmamados, no melhor período do ano. Felizmente a tecnologia tem contribuído substancialmente na gestão, planejamento, operação, controle e análise dos resultados alcançados, pois reduz a imprevisibilidade e os riscos de um ciclo produtivo longo e com um grande número de manejos.

Um dos gargalos é a taxa de natalidade e desmame nas fazendas voltadas à pecuária de corte no Brasil: em alguns casos, apenas metade das crias convertem resultados positivos para o negócio. Isso significa que a média nacional é que cada matriz produz um bezerro a cada dois anos. Pior do que isso: a idade média ao primeiro parto é de 48 meses. A situação é delicada e merece ser analisada, pois, mantida a perspectiva, os animais estarão consumindo pasto, insumos, ocupando mão-de-obra e currais e, em contrapartida, oferecendo poucos bezerros desmamados ao longo do ano.

Por meio da boa estratégia de estação de monta é possível buscar a concentração da atividade reprodutiva da propriedade num determinado período de tempo, de modo que a eficiência operacional e tecnológica da fazenda esteja direcionada a esta etapa fundamental para o sistema de produção da pecuária de corte: a cria. Para isso, recursos tecnológicos de ponta são capazes de coletar dados, processá-los e apresentar informações precisas que contribuirão para uma visão 360º do negócio por meio da organização do fluxo e dos processos dentro da propriedade, proporcionando uma gestão extremamente eficiente. A atenção a estes recursos de gestão é fundamental para que o seu negócio dê resultados cada vez melhores e se destaque nos competitivos cenários nacional e internacional.

Definir a estação de monta corretamente

Para fazer a evolução do rebanho, o primeiro passo é planejar a estação de monta considerando aspectos específicos como as condições fisiológicas e de escore corporal da vaca; uso de tecnologias na reprodução, capacidade de manejos diários por curral e por equipe; a época mais adequada para o nascimento; o período de desmame; peso do bezerro ao desmame e descarte das matrizes vazias e com idade avançada (com dez anos ou mais).

O planejamento da oferta de pasto para as matrizes é um aspecto importantíssimo a ser considerado pelo gestor pecuário já que este é fator que interfere diretamente na condição do escore corporal das matrizes, que é fundamental para a obtenção de um bom resultado de taxa de concepção e prenhez. Aquelas que parirem no período de seca (Julho, Agosto e Setembro) devem ter disponível pasto com um volume de oferta adequado, pois mesmo sendo um pasto de baixa qualidade (seco, com alto teor de fibra e baixa proteína), havendo oferta de pasto e com a utilização de sal proteico/energético, o resultado da taxa de concepção e prenhez são satisfatórios.

O gestor pecuário também tem que levar em consideração que os bezerros nascidos no período seco (Julho, Agosto e Setembro) têm menor probabilidade de contrair doenças, além de eles tradicionalmente apresentarem o maior peso ao desmame. As matrizes que parirem no período das chuvas (Outubro, Novembro e Dezembro) naturalmente terão à disposição um pasto maior e de melhor qualidade, apresentando consequentemente um bom resultado de taxa de concepção e prenhez. Por outro lado, os bezerros nascidos no período das chuvas apresentam uma maior probabilidade de contrair doenças e apresentam menos peso ao desmame.

Vale ressaltar que bezerros nascidos no período da seca são desmamados no período entre os meses de Fevereiro, Março e Abril, quando ainda há oferta de pasto em quantidade e com qualidade. No caso dos bezerros nascidos no período das chuvas e que são desmamados na época da seca (Maio, Junho e Julho), quando o pasto não apresenta condições adequadas, é fundamental o planejamento de uma suplementação proteica/energética para que não ocorra um déficit nutricional pós-desmame e o desempenho produtivo seja comprometido.

Início e duração da estação de monta

Depois do acompanhamento da condição corporal das matrizes e da disponibilidade de pasto, é importante definir quando a estação deve começar. Essa decisão pode levar em conta o conhecimento empírico das equipes estratégicas e táticas da propriedade, mas se forem interpretadas com o auxílio do potencial analítico da tecnologia aplicada à pecuária, as chances de acerto crescem exponencialmente.

Uma plataforma completa de gestão agropecuária pode trazer dados precisos sobre o percentual do rebanho que está apto para a reprodução, período pós-parto, condição corporal, disponibilidade de pasto, suplementação mineral e/ou proteica/energética e outros aspectos importantes. Essas informações são fundamentais para garantir os melhores resultados da estação.

Para alguns estudiosos da pecuária brasileira, uma estação de monta ideal deve compreender o tempo que permita a máxima eficiência reprodutiva, ou seja, produzir um bezerro por matriz por ano. Veja o esquema:

estação de monta
Intervalo entre partos e período de serviço na eficiência reprodutiva em Bos taurus e Bos indicus (Fonte: Firmasa e USP)

 

Para que se tenha um intervalo entre partos de 12 meses, que é a eficiência reprodutiva máxima, o período de serviço (concepção) deve compreender de 71 a 78 dias para as raças Bos indicus e Bos taurus, respectivamente.

A IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) é a tecnologia que proporciona a maior eficiência reprodutiva, produzindo um bezerro por vaca/ano. O intervalo entre partos das matrizes que emprenham na primeira IATF e no primeiro repasse de touro é menor que 12 meses, devido a realização da IATF antes de 78 dias de pós-parto. Veja:

 

estação de monta
Modelo de trabalho para estação de monta (Fonte: USP e Firmasa)

 

O resultado não causa sobreposição entre a estação de monta, de nascimento e o puerpério, o que contribui para aumentar a taxa de prenhez e a qualidade da cria considerando esse quadro.

Para conhecer mais sobre como a tecnologia pode ajudar no gerenciamento das fazendas em busca da pecuária de corte de qualidade, acesse o nosso site e leia o nosso blog.


 

Se você se interessa por pecuária no Brasil, inteligência artificial na pecuária e demais tendências nessa área, confira outros materiais publicados no nosso blog:

  • Existe evolução sem revolução? Um breve cenário da pecuária de precisão no Brasil – e o que nos espera
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controle de gado de corte

5 dicas para aperfeiçoar a gestão de fazendas

Gestão de fazendas
A gestão de fazendas pode melhorar se você seguir algumas dicas básicas. Confira 5 recomendações que vão ajudar muito sua produção agropecuária!

Não consegue ler agora o artigo “5 dicas para aperfeiçoar a gestão de fazendas”? Clique no play e ouça o conteúdo:

 

Até metade da próxima década, o crescimento da produção de proteína animal bovina deve alcançar taxas superiores a 2% ano ano. Ao final desse período, a quantidade de carne produzida em 2027 deve ser de 11,4 mil toneladas — uma variação de 20,5% em relação ao volume que foi produzido no ano passado. Para aproveitar as boas perspectivas de crescimento do mercado no médio e longo prazos, é fundamental manter o foco na gestão da fazenda e evoluir constantemente.

 

O crescimento da demanda é acompanhado pelo aumento das exigências na qualidade da carne, da sustentabilidade do processo produtivo e da diversificação dos mercados. Para se manter competitivo e lucrativo é preciso monitorar e analisar constantemente os diversos indicadores do negócio para planejar o crescimento da fazenda e acompanhar os movimentos mais favoráveis do setor. Essas orientações também são válidas para negócios recém-adquiridos ou que estão apresentando rentabilidade mais baixa do que o esperado. Agora é a melhor hora para ter a rédea do negócio nas mãos. O importante é ficar atento e ler este texto até o final; Com certeza essas dicas vão ajudar a elevar — e muito — o nível da pecuária praticada do lado de dentro da sua porteira.

 

Na gestão de fazendas é preciso conhecer profundamente o negócio

 

A maioria dos donos e gerentes de propriedades pecuárias do Brasil conhece muito sobre a atividade e os processos que envolvem a produção de gado de corte, mas somente há poucos anos os gestores vêm buscando mais conhecimento em administração e gestão empresarial. E a transição de produtor tradicional para empresário rural passa pelo controle aprofundado de todos os números do negócio e pela análise dos seus impactos na eficiência e rentabilidade de cada operação. Para coletar, processar e analisar uma grande quantidade de dados é fundamental usar ferramentas robustas e completas que permitam gerar histórico por animal e operação, além de fazer o cruzamento de informações necessárias ao planejamento do futuro do negócio.

 

Independente do tamanho da fazenda e do plantel, a gestão da informação feita da forma adequada é o melhor caminho para reduzir os riscos e alavancar o negócio. Para fazer a escalada tecnológica da sua fazenda é preciso entender qual o nível de controle atual e estabelecer uma meta de evolução; assim será mais fácil identificar qual solução deve ser implantada primeiro e quais são os próximos passos a seguir.

 

Um caso de escalada tecnológica bem sucedida é o da Fazenda Nova Piratininga, localizada no município de São Miguel do Araguaia (GO) — uma das maiores do Brasil. Com uma área de mais de 205 mil hectares, o empreendimento tem pelo menos 130 mil cabeças de gado, 1,7 mil quilômetros de estradas, 1,8 mil pastos e cerca de 300 funcionários. Os números são impressionantes — sobretudo os de área, que a colocam acima de metrópoles como o Rio de Janeiro ou Nova Iorque em extensão territorial. Claro que hoje a fazenda tem um grau de sofisticação e profissionalismo na gestão sem precedentes, mas nem sempre foi assim.

 

Segundo o gerente administrativo do negócio, José Cláudio da Silva (49), há sete anos, quando ele chegou na propriedade, o que viu foi uma mega-estrutura subutilizada: havia área construída, espaço para equipamentos, mas faltava colocar o foco na produtividade.

 

— O negócio não tinha quase nenhuma tecnologia, o manejo não existia. Sem a gestão correta, tudo é mais difícil. Costumo fazer a seguinte comparação: sem a inteligência dos softwares de pecuária, até uma chácara fica muito grande para se administrar — afirma o gestor.

 

Com a tecnologia, no entanto, qualquer fazenda, por maior que seja, fica “pequena”. Por isso a preocupação foi, num primeiro momento, montar uma equipe e planejar quais seriam os próximos passos. Era preciso fazer um “inventário” do que existia, qual era o tamanho do rebanho e como ele poderia produzir mais.

 

— No primeiro ano nós não tínhamos nenhum controle, não sabíamos nem que tipo de gado vivia na propriedade. Buscamos um sistema de gestão agropecuária justamente para permitir a montagem de um banco de dados, e isso ajudou muito a preparar as equipes e mudar as rotinas que não funcionavam do jeito certo — diz.

 

Manejo adequado: fundamental para a gestão de fazendas

 

O próximo passo era qualificar os funcionários e fazer com que eles unissem a tecnologia ao conhecimento que muitos já traziam de experiências anteriores e da prática no campo. Muitos bois, ainda que dentro da fazenda, eram criados quase que de forma extensiva e, portanto, quase não passavam por nenhum tipo de manejo. O primeiro desafio foi fazer a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), para capacitar a equipe e educar o gado, levando-o aos currais.

 

Vencida esta etapa, o ciclo seguinte melhorou de forma quase que automática: tornou-se possível, por meio de números que começaram a apresentar a situação real da propriedade de forma mais clara, acompanhar e monitorar questões fundamentais relacionadas à sanidade animal, empastamento, localização do gado e aspectos reprodutivos — hoje a Nova Piratininga trabalha com cria, recria e engorda das raças Nelore e Angus.

 

Gerenciamento preciso de informações

 

A organização geral da propriedade nos últimos anos gerou uma “enxurrada” de dados que começaram a retratar a fazenda de forma muito mais precisa do que acontecia antes. Agora é possível acompanhar, prever e direcionar precisamente a alimentação, a imunização e fases importantíssimas como a cria, a recria e a engorda, buscando mais produtividade e qualidade.

 

— Na estação de monta do período 2017/2018, trabalhamos com 52 mil matrizes. Fizemos 68 mil protocolos de IATF e só aí fizemos mais de 360 mil manejos — compara o administrador da Nova Piratininga.

 

As informações mais precisas permitem gerenciar 35 currais de modo simultâneo. Além de saber em tempo real o que acontece em cada um deles, é possível estimar resultados e intervir na produção, de modo a obter o melhor resultado no final do ciclo produtivo.

 

— A análise de dados nos dá poder para ver como a produtividade da fazenda evoluiu ao longo do ano e comparar, rapidamente, com o que planejamos no mês anterior, para saber se estamos no caminho certo — complementa.

 

Gestão de fazendas com rastreabilidade

 

Com a “casa em ordem”, é muito mais fácil fazer planos de médio e longo prazo. Um deles envolve a conquista de outro tipo de cliente e deve acontecer nos próximos anos.

 

Trata-se da produção de carne de altíssima qualidade para o consumidor final, que está cada vez mais preocupado com a forma de produção dos itens que coloca na mesa. O movimento já foi compreendido pelos gestores da Nova Piratininga, que estão desenvolvendo um projeto para criar um selo de rastreabilidade para o produto.

 

— Nós temos a possibilidade técnica de acompanhar exatamente todos os passos do boi na cadeia produtiva, desde o nascimento até a saída pela porteira. Conseguimos saber como ele foi nutrido, com quais tipos de alimento, que controle sanitário foi feito, para quem foi vendido… É uma riqueza muito grande de informações e queremos aproveitar essa capacidade que temos — diz Cláudio.

 

O acompanhamento individualizado de cada boi só é possível por conta da adoção da tecnologia, pois a quantidade de dados gerada é tão grande que seria impossível acompanhar de forma manual ou pelos métodos tradicionais. “É mais vantagem para o consumidor, que sabe que está comprando carne com qualidade. Quem tiver a rastreabilidade de uma ponta a outra vai sair na frente”, finaliza.

 

Tecnologia para gestão de fazendas

 

A orientação mais importante para que a gestão de fazendas seja aperfeiçoada é a que permitiu a transformação da Fazenda Nova Piratininga: gestão da informação. Isso só é possível tendo os dados na mão por meio da tecnologia. Antes, o olho do dono é que engordava o boi. Agora, “o olho na tela é que engorda o lucro”.

 

Para que tudo isso aconteça, é fundamental compreender a importância que uma plataforma completa de gestão agropecuária tem: é ela quem vai permitir planejar adequadamente, lidar com situações emergenciais e corrigir curvas para chegar à produtividade ideal ao final do ciclo. “É um sonho de todo gestor de fazenda ter uma solução completa, um ecossistema que integre todas as informações em gráficos e planilhas para serem analisados pelos zootecnistas”, afirma Cláudio.

Saiba mais sobre como melhorar a gestão de fazendas usando a tecnologia: acesse o nosso site e leia o nosso blog para conhecer mais técnicas e transformar a sua propriedade.


 

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controle de gado de corte

Administração inteligente de fazendas com software de pecuária

software pecuária

 

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A produtividade média da pecuária brasileira foi de 5,57 arrobas por hectare entre os anos de 2013 e 2017. O dado faz parte do estudo Ativos da Pecuária de Corte, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), e indica um aumento de 22,2% na comparação com a média do período de 2007 a 2012. Estados como o Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo foram destaque, graças a redução do ciclo produtivo dos animais dentro de uma mesma propriedade e pelo uso mais eficaz de modernas ferramentas de produção, como softwares para pecuária.

 

Esse movimento é característico dos anos mais recentes, sobretudo a partir dos anos 2000, e ocorre de uma maneira muito diferente do que acontecia há quatro décadas: ao invés de expandir áreas, a pecuária tem usado espaços cada vez menores para produzir carne. Um dos motivos é a ampliação territorial das atividades agrícolas, que em alguns casos avançam sobre partes das propriedades que antes eram usadas para a criação de animais.

 

O custo da terra e a pressão para redução do desmatamento limitou o crescimento das áreas destinadas à pecuária e conduziu os pecuaristas a avançar sobre o delay que marcou o desenvolvimento do setor durante muito tempo, fazendo-os buscar estratégias e ferramentas que acelerassem o processo de cria, engorda e abate dos animais. A implantação de novas técnicas e tecnologias permitiu a redução do ciclo de produção de cinco anos – registrados num passado recente – para pouco mais de 36 meses na atualidade.

 

Coletar dados é fundamental

 

Diferentemente do que acontece na atividade agrícola, a pecuária exige a gestão de dois seres biológicos: a pastagem e o boi. Ainda que esse fator não receba tanta atenção ou monitoramento quanto o rebanho, associar técnicas de produção de pastagem e de intensificação da pecuária são fundamentais para obter patamares ideais de produtividade e lucratividade.

 

Por isso é imprescindível que o produtor tenha ao seu alcance ferramentas robustas, extremamente bem desenhadas, para permitir a coleta, o acesso e a análise dos dados no momento adequado para a tomada de decisão. Estar atento à essa necessidade vai habilitar a fazenda a acompanhar as tendências nacionais de produtividade, que prevêem que em 10 anos a pecuária trilhará uma rampa de crescimento sem precedentes.

 

O que antes era feito manualmente, por meio de tabelas e anotações à caneta, conta hoje com um grau de sofisticação inédito na produção de proteína animal. São softwares para pecuária especialmente desenvolvidos para o setor que contam com a curadoria de zootecnistas e estatísticos para ajudar a formatar a melhor interface para o gestor da fazenda.

 

Software de pecuária sob medida

 

Duas soluções desenvolvidas no Brasil já entregam o poder do controle da propriedade em tempo real para o pecuarista. São elas:

 

 

  • TGC — Tecnologia para Gestão de confinamento: software criado para gerir a atividade intensiva da pecuária. Ele possibilita gestão completa dos processos produtivos, administrativos e financeiros do semiconfinamento e confinamento. Atua na padronização da coleta e na organização dos dados, proporcionando o gerenciamento das informações de forma eficiente para o melhor desempenho da operação e do negócio. Um dos destaques é o planejamento nutricional e administração das dietas fornecidas aos animais com controle de estoque e custos dos insumos necessários à fabricação. O TGC é líder de mercado e está em mais de 60% das fazendas que adotam a tecnologia na gestão do negócio;

 

 

  • Ecossistema GA: é uma plataforma completa para gestão de múltiplas fazendas nas fases de cria, recria, engorda a pasto e TIP com evolução de categoria, ERA e peso. A plataforma apresenta o mapa do gado completo com relatórios de taxa de lotação por setor, retiro e pasto, além de fazer a programação e controle da estação de monta com projeções de nascimento por retiro e por mês. Um dos diferenciais é o processo de auditoria dos dados coletados a campo e registro de histórico de cada dado processado.

 

Esses sistemas oferecem diferenciais importantes em relação a outras soluções disponíveis no mercado. Uma das mais significativas é a possibilidade de uso em fazendas com ou sem acesso à internet, graças à característica híbrida da plataforma do Ecossistema GA. Dessa forma o gestor agropecuário pode escolher entre manter todas as informações na nuvem — quando a operação é toda online e os dados são transmitidos em tempo real para um data center — ou em um armazenamento local, transferindo o que foi coletado somente quando houve conexão.

 

Acessibilidade e uso facilitado

 

Em algumas propriedades, o receio de que a adoção da tecnologia traga dificuldades de operação acaba por postergar a implantação de um software para pecuária, impactando negativamente nos resultados e na produtividade da fazenda. Mas as duas soluções apresentadas acima vão exatamente na contramão dessa tendência.

 

Os dois sistemas são amigáveis e têm telas de fácil leitura e compreensão. Na parte de cria, por exemplo, há informações detalhadas sobre a nutrição que permitem acompanhar todas as variáveis que podem interferir no resultado final.

 

Também é possível fazer a leitura automatizada dos animais por meio de brincos que concentram a “ficha” completa de cada boi. Dessa forma é possível acompanhar a evolução deles e promover adaptações específicas na alimentação buscando mais produtividade e lucro.

 

Outra possibilidade é acompanhar a origem dos animais e automatizar a compra. Por meio do TGO — Tecnologia de Gestão de Originação, o produtor consegue atribuir parâmetros para especificar o tipo exato de bezerro desejado, a forma de pagamento, o padrão da carcaça e outras características técnicas. Essa ferramenta, que pode ser utilizada pelos compradores das fazendas onde quer que eles estejam via tablets e smartphones, deixa o processo de seleção dos animais para a compra muito mais técnico e menos subjetivo, considerando o planejamento de engorda e priorizando a qualidade da produção.

 

Análise de especialistas

 

Todas as informações coletadas pelo sistema precisam ser processadas. Mas, mais do que permitir que o gestor ou proprietário da fazenda faça a análise dos dados, as duas soluções apresentadas contam com uma retaguarda técnica e estatística completa. São profissionais zootecnistas e especialistas em análise de dados pecuários que prestam a consultoria da gestão da informação.

 

As ferramentas oferecem painéis completos de gestão pecuária para acompanhamento de cria, recria, engorda e outros aspectos; análise estatística para avaliar quais são as variáveis que têm impacto direto no custo de produção do animal; interpretação dos dados e sugestão das melhores atitudes a serem tomadas pelos donos e gerentes das fazendas.

Para saber mais sobre cada uma das soluções e verificar como elas podem potencializar o lucro e a produtividade do seu negócio, visite o nosso site e continue lendo os conteúdos do nosso blog.


 

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controle de gado de corte

A visão do dono define o tipo de resultado?

Para responder essa pergunta, primeiramente precisamos entender quais dados e qual a fonte de informação esse pecuarista tem em mãos para tomar suas decisões. Isso só reforça a importância do controle, administração e gestão de todos os dados da propriedade.

A base de dados da GA representa 68% do mercado de confinamento brasileiro e, ao analisarmos o comportamento desses confinadores, vemos que 28% deles não atualizam os custos operacionais da sua atividade há mais de 1 ANO e lançam um valor de diária estimado, na maioria das vezes. Ao considerar a alta dos custos em 2020, isso representa um grande risco para o negócio e inviabiliza medir a rentabilidade do negócio da forma correta.

Por sua vez, 72% dos clientes GA de alta gestão atualizam essa informação a cada dois meses e, ao fazerem isto, reduzem o risco e garantem resultados mais confiáveis. Já aqueles que fazem a integração com ERP têm esse ajuste mensal e de forma dinâmica, o que torna a apuração do resultado muito mais segura.

É importante entender que existem diferentes maneiras de observar e medir os resultados. Mas afinal de contas, qual é a melhor? Vamos entender essa evolução:

Foco no custo – Nesta etapa, o produtor se dedica aos custos, então realiza boas compras de insumos e animais de reposição.

Foco na receita – O produtor realiza boas vendas e tenta obter boas negociações de seus animais.

Foco na produtividade – Otimização dos processos para melhorar os índices e aumentar sua margem (bonificações ou premiações do frigorífico, por exemplo)

Foco no capital – Trabalha focado na rentabilidade e retorno do seu negócio, pois atingiu o alto nível de maturidade da gestão.

É importante entender que essa é uma escalada da baixa para alta gestão de maturidade e esse processo também está relacionado aos diferentes perfis do pecuarista, pois cada um tem habilidades que devem ser usadas ao seu favor.

“Operar em baixa maturidade, é estar em um risco muito elevado.” – Paulo Marcelo (CEO da GA)

O que muda da visão produtiva para a visão econômica na minha fazenda?

Na gestão de alta performance, onde se utiliza soluções de gestão integradas à sistemas ERP, é possível enxergar o mesmo animal como DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício), e isso muda completamente a visão de negócio e daquilo que será medido para se chegar ao resultado desejado.

Nessa mudança de visão produtiva para uma visão empresarial, o produtor deixa de monitorar apenas o peso de entrada/saída do animal e passa a acompanhar o seu estoque de arrobas que, ao valor da cotação do dia, mostra o valor real do ativo biológico do seu negócio.

Pode até parecer uma simples mudança de conceito, mas na prática significa saber seu estoque real e o quanto ele vale, obtendo uma visão de caixa mais precisa. Com informações econômicas é possível conectar os relatórios zootécnicos aos contábeis e os números revelam o valor real do seu negócio de forma mais segura. Para isso, vamos entender os perfis da gestão do negócio rural.           

Perfil de gestão de Negócio

O pecuarista com baixa gestão não consegue ter uma visão real do seu negócio. Se analisarmos os custos nutricionais em uma gestão de baixa maturidade, os valores são fixos ou atualizados apenas na última compra. Já na alta maturidade, esses custos são extremamente dinâmicos, a cada entrada de insumo o sistema de gestão da GA, integrado ao ERP, gera uma média ponderada móvel que, somada ao custo operacional da fábrica, fornece o custo real da dieta desses animais.

Nota-se o alto risco financeiro dentro do negócio quando consideramos que a nutrição representa cerca de 80% do custo da atividade.

Todas as anotações e registros realizados por humanos estão suscetíveis à erros, o que deixa o pecuarista em uma posição insegura sobre seu negócio. Índices como gestão de estoque, fluxo de caixa, eficiência de fornecimento e fabricação da ração são diretamente afetados, consequentemente, o resultado econômico não é confiável. Na alta maturidade, o resultado econômico está integrado com o resultado da contabilidade geral e fornece números mais precisos. Nesse cenário, o pecuarista consegue controlar melhor a exposição aos riscos e aproveitar as oportunidades do mercado.

Para saber mais informações sobre gestão de alta performance na pecuária, não deixe de participar do Circuito de Alta Performance.

Saiba mais em: Circuito Pecuária de Alta Performance

Conteúdo e Estudos:

Paulo Marcelo (CEO da GA): Zootecnista, mestre em Produção Animal e pioneiro na aplicação da ciência de dados na pecuária.

Marcelo Ribas (CEO Intergado): Veterinário, doutor em Zootecnia e responsável pela área de pesquisa e inovação da Intergado.

Análises:

Time de Estatísticos e Cientistas de Dados GA e Intergado

Produção do conteúdo:

Milena Marzocchi (Analista de Negócios da GA): Zootecnista, mestre em produção animal sustentável, especialista em marketing.

Eficiência dos processos produtivos

O que o animal “fala” sobre isto

Quando falamos de desempenho animal precisamos entender todos os processos que fazem parte do processo produtivo. Neste artigo, trouxemos algumas análises relevantes sobre esse tema.

Analisamos clientes com automação na fábrica de ração para entender o erro por tipo de alimento e, segundo a base de dados da GA, a maioria dos clientes erra para “cima’’ durante a fabricação da dieta. Também foi constatado que os ingredientes proteicos, insumos de alto custo, são os que apresentam a maior margem de erro conforme gráfico abaixo:

Erros na fabricação por tipo de alimento


Fonte: GA + INTERGADO, 2021

O cenário ideal é fabricar e fornecer a dieta o mais próximo do previsto para não “furar” o estoque e, dessa maneira, consumir os ingredientes dentro do planejado para não prejudicar o desempenho do animal (caso seja necessário realizar a troca de ingredientes durante o ciclo) e não aumentar os custos de produção.

Com a tecnologia de pesagem voluntária diária dos animais da Intergado, conseguimos obter todos esses dados e entender o que está impactando na produtividade.

No gráfico abaixo, analisamos um animal de uma fazenda tecnificada. Percebemos que o desvio entre o desempenho previsto pela dieta formulada e pela dieta fornecida foi de apenas 3%, indicando bons índices do processo. (Linha preta e cinza praticamente sobrepostas).

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

O nutricionista dessa propriedade, formulou uma dieta considerando que o animal terminaria o confinamento com 547kg. O cliente estimou o ganho de peso diário no sistema com média de 1,5 kg/dia (linha dourada) com peso final esperado de 515kg. Já a medição diária e individual, através das balanças eletrônicas da Intergado, mostrou que o animal terminou o período confinado com 532kg.

Existe uma diferença entre a predição e a resposta real do animal e, nesse caso específico, a fábrica de ração trabalhava com índices de controle rigorosos, porém com margem para melhoria da eficiência. Vale ressaltar que mesmo com uma boa operação de fábrica, ainda assim, podemos ter diferenças entre a realidade e as previsões.

Concluímos que nessa situação, estamos subestimando a exigência do animal na formulação da dieta e que a tecnologia do “boi sensor” (animal coletando dados para orientar as decisões do pecuarista, através do monitoramento das pesagens diárias voluntárias nas balanças da Intergado) pode ajudar a calibrar o modelo para chegar no ponto de equilíbrio. Vamos entender melhor no próximo gráfico.

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

No gráfico acima, vemos que a linha azul reflete exatamente o que aconteceu com o boi, pois é o acompanhamento feito a partir da pesagem diária do animal. Importante ressaltar que com o dado real temos mais informações para calibrar e tomar decisões referente ao confinamento. Vimos um desvio de 30,52% entre o ganho de peso real e o ganho de peso previsto pelo modelo (linhas preta e cinza praticamente sobrepostas).

Também fica claro que utilizar o ganho linear (linha dourada) não é a melhor opção a ser adotada quanto ao desempenho do animal. Isso pode trazer erros no controle de estoque e, o mais importante, não é possível identificar o que realmente está acontecendo com o animal ao longo do processo de engorda.

Para isso, temos a oportunidade de usar o animal como um sensor da fazenda já que ele responde a todas as interações e usar o conhecimento sobre o seu comportamento para corrigir os processos durante os dias de cocho, equilibrando exigência nutricional e desempenho para tomar melhores decisões produtivas e econômicas.

O custo da perda de desempenho

Naturalmente, ao longo do período confinado, o ganho de peso diário diminui e depois tende a estabilizar. Inicialmente, é maior devido ao ganho compensatório e depois se estabiliza quando o animal já está habituado à dieta, ao cocho e ao ambiente.

Um dos fatores que interferem no desempenho animal é a troca de dietas que exigem uma adaptação do animal à nova formulação. No gráfico abaixo, percebemos o impacto das trocas de dieta em 2 momentos, acarretando uma perda de 5,27 kg que representa R$58,00/cabeça durante o confinamento.

Ganho de peso diário x Dias de confinamento

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Essas mudanças de ingredientes na dieta podem ser pressionadas pelo mercado ou por falha de algum fornecedor, como aconteceu muito em 2020. Mas, com o planejamento de estoque bem-feito, com insumos suficientes para o ciclo e mantendo as eficiências dos processos (sem perdas) é possível controlar os custos e evitar a troca de ingredientes que prejudicam o desempenho animal. Mesmo quando as trocas são por ingredientes similares em qualidade e energia, a resposta do animal é negativa.

Veja no gráfico abaixo, o que aconteceu em 2020 com 5 mudanças na dieta provocadas por condições de mercado, trocando por ingredientes de igual valor nutricional:

Composição das dietas x Ganho de peso diário (GPD) x Energia metabolizável (EM)

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

As linhas tracejadas na vertical indicam os períodos em que foram realizadas trocas de ingredientes por indisponibilidade no mercado. Na linha laranja, temos a Energia Metabolizável (EM) que foi entregue ao longo do tempo, considerando as mudanças de ingredientes. Nota-se que o nutricionista tentou manter estável durante as trocas, mas na linha verde temos o GPD do animal mostrando quedas drásticas em cada troca.

Os animais estavam abaixo do seu potencial máximo e, segundo estimativas, para recuperar as perdas, os animais precisariam de 9 dias a mais de cocho, representando um custo adicional de R$117,00 por cabeça.

Em casos em que é necessário fazer a mudança na dieta, o mais recomendado é realizar essa troca de forma gradativa e, assim, facilitar a adaptação do animal e reduzir perdas de desempenho. A melhor forma de fazer isso é com a automação da fabricação e do fornecimento, que facilitam intercalar diferentes dietas ao longo do dia de trato e por períodos determinados.

Importante entender que o bovino é um animal que gosta de rotina e as decisões que tomamos durante o período confinado refletem diretamente na performance do animal. Utilizar o animal como “sensor” é uma grande oportunidade de tomar decisões assertivas. Dessa maneira, fica claro que para ser um bom pecuarista é preciso ser um bom planejador e também um bom observador.

Para acessar mais conteúdos como este, não deixe de participar nossa Trilha de Conhecimento.

Saiba mais em: Trilha do Conhecimento GA

Conteúdo e Estudos:

Marcelo Ribas (CEO Intergado)

Veterinário, doutor em Zootecnia e responsável pela área de pesquisa e inovação da Intergado.

Paulo Marcelo (CEO da GA)

Zootecnista, mestre em Produção Animal e pioneiro na aplicação da ciência de dados na pecuária.

Análises:

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Produção do conteúdo:

Milena Marzocchi (Analista de Negócios da GA)

Zootecnista, mestre em produção animal sustentável, especialista em marketing.

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