BLOG


Informação de valor que gera resultado.




O impacto da sanidade animal na produtividade

30/08/2021

A sanidade animal é um dos fatores que afetam a produtividade em confinamento de bovinos. Para entender melhor esse impacto, utilizamos a base de clientes da GA para fazer algumas análises mais aprofundadas. Veja só:

 Relação do desempenho com a sanidade

Avaliamos 2 milhões de animais, considerando as doenças versus desempenho do animal, constatamos uma taxa de mortalidade de 0,35%.

../../../../../../../../../../../Desktop/Captura%20de%20Tela%202021-
Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Da base analisada, cerca de 2,94% dos animais foram medicados pelas seguintes causas: refugo de cocho (29,52%), pneumonia (23,54%), outros (22,05%), problemas de casco (20,42%) e fraqueza (4,47%). Foram classificadas na categoria “Outros” as doenças com menos de 3% de ocorrência como cólica, bicheira, ferimentos, fratura, desnutrição, diarreia, entre outras. 

Ressaltamos a importância de capacitar os responsáveis pela ronda sanitária e pelo cadastro das doenças no sistema, para que identifiquem e registrem as doenças de forma correta e padronizada, evitando nomes aleatórios, erros de digitação e outros que comprometam a análise dos dados que, por sua vez, dificultam o bom planejamento do controle de sanidade. 

Conforme podemos ver nos gráficos abaixo, a forma do registro de ocorrências relacionadas à sanidade é um dos fatores que demonstram o grau de maturidade de gestão das fazendas.

Alta maturidade

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Baixa maturidade

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Quando comparamos fazendas com alta e baixa maturidade de gestão, percebemos diferenças entre os motivos de morte registrados. A diferença está na capacidade de diagnóstico das razões de morte (necropsia). Nas fazendas de alta maturidade há treinamento da ronda sanitária junto ao consultor de sanidade, identificação correta das doenças, prescrição de tratamentos mais efetivos e todos esses processos permitem controlar melhor as doenças minimizando perdas de desempenho e perdas do ativo (boi) por morte.

A pneumonia é uma das doenças mais comuns em animais confinados e de grande importância devido à alta contaminação do rebanho, por isso tem gerado um prejuízo na ordem de R$18 milhões/ano para a pecuária nacional *. E embora não impacte fortemente o ganho de peso, é a principal causa de morte em confinamentos.

* Análise realizada a partir do índice de pneumonia registrado na base de dados da GA (2 milhões de animais / 5 últimos anos) associando custos de tratamento e morbidade.

Outro fator relevante é que 75% das doenças acontecem nos primeiros 30 dias de confinamento, conforme mostra o gráfico abaixo:

 Doença x Desempenho x Dias de cocho

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Nota-se que para todas as doenças listadas, há impacto maior durante o primeiro mês (30 dias), indicando que é um período que requer maior atenção, em especial dos responsáveis pela ronda sanitária. 

O impacto da doença no desempenho animal 

No gráfico abaixo, conseguimos ver o impacto no ganho médio diário após tratamento para os principais problemas de sanidade encontrados. 

Doença x GMD

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Obs.: Sem tratamento indica animais considerados saudáveis.

A pneumonia é a principal causa de mortalidade em confinamentos, porém não é a doença que mais afeta o ganho de peso diário. Para animais saudáveis (sem tratamento), o desempenho foi de 1,42 kg/dia em média. Quando tratados para pneumonia (1,37kg/dia), problemas de casco (1,26kg/dia), outros motivos (1,16 kg/dia), refugo de cocho (1,06 kg/dia) e fraqueza (1,01 kg/dia).

No geral, um animal doente perde 210 g/dia e, considerando 100 dias de cocho, representaria um prejuízo de R$231,00 por cabeça.

 Impacto da doença no desempenho

../../../../../../../../../../../Desktop/Captura%20de%20Tela%202021-
Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Ressaltamos a importância de se atentar aos fornecedores, realizar os protocolos sanitários, manter a ronda sanitária com rigidez, em especial nos primeiros 30 dias, a fim de minimizar as perdas e mortalidade de animais.

 Onde mora o risco?

Controle de sanidade de acordo com perfil clínico

Utilizando os dados de uma propriedade com sistemas de balanças eletrônicas da Intergado, avaliamos animais com problemas de casco em diferentes níveis (leve, moderado e grave). O peso vivo (PV) dos animais foi observado no período de 30 dias antes e 30 dias após o tratamento. O dia zero é o dia em que foi feito o tratamento.

Perda produtividade x Perfil clínico

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Consideramos período improdutivo quando o animal está perdendo ou deixando de ganhar peso até o momento em que ele retorne ao seu desempenho anterior. Esses dias geram um custo, pois são diárias gastas para recuperar o peso que já havia sido atingido pelo animal anteriormente. No animal acometido de forma mais grave pela doença, no período de 30 dias, houve uma perda de desempenho de 3,19 dias.

Quanto mais rápido o animal for diagnosticado e tratado, melhor a resposta ao tratamento e menor o impacto dos dias improdutivos no custo da operação. Para isso, é fundamental a ronda estar treinada para identificar as doenças precocemente e evitar que evoluam para o seu estágio mais grave. A dificuldade do diagnóstico precoce é que muitas doenças são difíceis de identificar a “olho nu” e muitos animais só demonstram os sintomas quando estão em estado mais grave.

Contudo, um sintoma comum é a perda de desempenho identificada pela desaceleração do ganho diário ou da perda de peso, e isso só é possível identificar com a medição diária do peso real do animal. Dessa forma, é possível identificar animais subclínicos e atuar de forma mais assertiva e rápida.

No caso analisado no gráfico abaixo, alguns animais apresentaram perda de desempenho e não tinham sido diagnosticados e nem medicados. Em um rebanho monitorado pela Intergado através das balanças de pesagem automática, a média do ganho de peso dos animais sadios foi de 1,83kg/dia. 

Animais classificados como subclínicos, não foram diagnosticados pela ronda sanitária e tiveram produtividade de 1,63kg/dia, ou seja, 200g a menos do que o rebanho saudável. Já os animais clínicos, que foram identificados e tratados, tiveram desempenho de 1,58kg/dia, ou seja, 250g a menos que os saudáveis.

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Ao longo de 100 dias de cocho, o animal subclínico deixou de entregar R$220,00 e o animal clínico, R$275,00, conforme gráfico abaixo.

Impacto financeiro por perfil clínico

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Para cada animal tratado, estima-se que outros 5 animais não foram diagnosticados pela ronda. Fica a mensagem que ter equipamentos que acompanhem o desempenho do animal diariamente contribui para melhoria do processo produtivo.

Analisamos mais profundamente o caso de um animal subclínico, que foi alertado pelos sistemas da Intergado, mas não foi tratado. Veja no gráfico abaixo

Dias improdutivos por doença

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Antes de adoecer, esse animal estava com peso vivo de 430kg e apresentando bom desempenho. Quando começou a perder peso, a ronda confirmou como normal mesmo sendo alertado pelo sistema de pesagem da Intergado. Chegou ao peso de 410kg aproximadamente e mesmo sem tratamento, seu sistema imune combateu o problema sanitário não identificado (“auto cura”) e retomou o ganho de peso de forma mais lenta levando 40 dias para voltar ao peso do seu pico anterior. 

Ou seja, tivemos 40 dias improdutivos, onde o alimento fornecido não foi convertido em @ produzidas nem acabamento de carcaça, pois o animal estava usando essa “energia” para se recuperar da doença enquanto perdia peso. Esse cenário representou um prejuízo de R$520,00. É importante ressaltar que esse custo é muito acima de qualquer tratamento que deveria ter sido feito.

Retorno do investimento

Analisando o impacto gerado pelo risco de perdas relacionadas somente aos processos que envolvem a nutrição e o controle de sanidade, ou seja, colocando na “ponta do lápis” é fácil perceber como o investimento em tecnologia e capacitação de equipe é viável e de rápido retorno mesmo em negócios de pequeno porte.

Fonte: GA + INTERGADO, 2021

Para entender melhor o impacto dessas variáveis no seu negócio, CLIQUE AQUI e faça uma simulação de cenários com um dos nossos consultores técnicos.

Concluímos com estas análises que para aumentar a produtividade é fundamental fazer a gestão precisa da sanidade e, embora não represente tanto na parte financeira, é essencial reduzir custos principalmente em anos desafiadores quanto à margem. 

Dentre algumas dicas, recomendamos realizar a pesagem diária e automática do animal e a partir disso, estabelecer alertas sanitários, sempre acompanhando os dados de eficiência da ronda sanitária, que são cruciais para melhoria do processo.

Para acessar mais conteúdos como este, não deixe de participar da nossa Trilha de Conhecimento.

Saiba mais em: Trilha do Conhecimento GA

Conteúdo e Estudos:

Marcelo Ribas (CEO Intergado)

Veterinário, doutor em Zootecnia e responsável pela área de pesquisa e inovação da Intergado.

Paulo Marcelo (CEO da GA)

Zootecnista, mestre em Produção Animal e pioneiro na aplicação da ciência de dados na pecuária.

Produção do conteúdo:

Kelly Alves (Diretora de Marketing da GA)

Milena Marzocchi (Zootecnista e Analista de negócios da GA)
Jade Medeiros (Redatora)

Análises:

Vinícius Félix (Mestre em bioestatística e Diretor de P&D da GA)

Luigi Cavalcanti (Doutor em zootecnia e head de P&D da Intergado)

+ Time de estatísticos e cientistas de dados (GA e Intergado)